
"E sinta a solidão que eu tenho quando canto uma canção bem alto, a solidão que eu tenho quando abro o coração e canto"
Nessa semana as postagens ficaram desgovernadas e aconteceram em datas não usuais, por isso neste sábado é que vai a minha sugestão de músicas para se curtir no fim de semana. Podem ficar tranquilos que a minha alergia já está quase no fim e na próxima semana as coisas voltarão ao normal.
Há um tempo eu quero homenagear a dupla Sá & Guarabira neste espaço, mas acabava me esquecendo ou não achando tão oportuno. Porém, hoje vi que para falar dos dois não são precisos momentos oportunos, basta abrir o coração para a grande obra deles.
Típico bicho da noite que sou não consigo ficar indiferente a versos como “Não consigo ficar em casa olhando aquele luar bonito na calçada, as estrelas me esperam sair para aparecer, pois conhecem meu jeito de ser” – imortalizados na canção Capitão da meia noite, do disco O Paraíso Agora (1984).
Referência incrível para mim, a canção Chão de Poeria & Cigarro de Palha, do álbum Quatro (1979) é de arrepiar com versos como “tiro o meu pé da cidade, olho pra trás e a cidade some por cima da estrada… uma criança crescida num chão de poeira, nunca na vida consegue pisar outro chão”
Após delirar com a primeira, a Segunda Canção da Estrada, LP Nunca (1974), é o retorno ao aconchego do lar. “Quero ir prá casa, não vejo minhas coisas desde o começo de abril. Um relógio velho me espera, parado desde o começo de abril”.
Não podia escrever sobre Sá & Guarabira e me limitar a apenas uma canção, mas agora vai a minha sugestão, de fato. Uma música com que me identifico bastante e que fala muito sobre aquilo que penso e acredito, pois “se você quer me conhecer finja que toca comigo e faz comigo essas canções que eu faço… e sinta a solidão que eu tenho quando canto uma canção bem alto. A solidão que eu tenho quando abro o coração e canto”.
As canções que eu faço integra o álbum Nunca (1974) e é o nome desta fantástica música – intensa, direta e precisa. Você pode fazer o download do disco aqui, mas não se esqueça que é sempre importante adquirir a obra original.
Se você quiser me entender ouça aquilo que eu não digo
Nas entrelinhas das canções que eu faço
Por que é que eu me guardo do mundo assim escondido
É coisa que só pode explicar quem vive o que eu vivo
As canções que eu faço – Sá & Guarabira