‘Somos tão jovens’, um filme legal, mas prometia mais!

Thiago Mendonça como Renato Russo. A caracterização dos personagens é um dos pontos altos do filme!

Thiago Mendonça como Renato Russo. A caracterização dos personagens é um dos pontos altos do filme!

Quando vi ser anunciado há aproximadamente dois meses, o trailer do filme Somos tão jovens, de cara fiquei instigado a assistir à cine-biografia do cantor e compositor Renato Russo. Mesmo não sendo um grande fã do líder da Legião Urbana, trata-se de um importante nome da música brasileira, cujo trabalho influencia gerações há cerca de 30 anos.

O longa de Antônio Carlos da Fontoura, com nome inspirado em um trecho da canção Tempo Perdido, aborda a passagem de Renato Russo da adolescência para a vida adulta. Conta como Renato Manfredini Júnior, jovem de classe média que sonhava se tornar um astro do rock, começou a escrever o seu nome na história do rock tupiniquim.

Os estudos, o trabalho, como professor de inglês, a descoberta do punk, a relação de carinho e as diferenças com os pais, os amigos, as dores de amor, os conflitos sobre sua sexualidade e o sonho da banda de rock são as principais temáticas deste filme que peca – a meu ver – por não conseguir dar conta de tantos assuntos. Até a metade da obra tudo me pareceu meio jogado.

Apesar da atuação destacada de Thiago Mendonça, que encarnou os trejeitos de Renato Russo e encarou vocal e instrumentos com admiráveis coragem e habilidade (para um amador), para mim quem rouba a cena é Laila Zaid, que faz o papel de Aninha, melhor amiga, porto seguro e inspiração do protagonista, e que garante as melhores, mais fortes e belas emoções do longa.

Somos tão jovens mostra o primeiro contato de Renato com o violão, através da MPB, até mergulhar de cabeça no punk inglês e descobrir o poder transformador que 3 acordes poderiam ter. Do Aborto Elétrico à Legião Urbana, passando pelas exibições solo, como o Trovador Solitário, a cine-biografia conta também um pouco da história da turma do rock de Brasília – com destaque para bandas como Plebe Rude e Capital Inicial.

Laila Zaid, no papel de Aninha - melhor amiga de Renato Russo. Para mim, a história de amizade dos dois é o que faz o filme valer a pena.

Laila Zaid, no papel de Aninha – melhor amiga de Renato Russo. Para mim, a história de amizade dos dois é o que faz o filme valer a pena.

Apesar de achar a primeira metade do filme fraca, meio dispersa, com as cenas meio desconexas, outras meio jogadas – quase fora de contexto, a metade final salva o filme, ao apresentar com mais tranquilidade e organização dramas e emoções. Aí sim, Somos tão jovens passa a valer a pena.

No mais, para um filme com forte apelo musical, achei a pesquisa de trilha fraca, superficial e focada apenas na obra do cine-biografado. Em diversos momentos do longa, algumas canções – Um girassol da cor do seu cabelo, por exemplo – são repetidas sem motivo aparente.

Isso me soou como uma bengala/preguiça, já que a obra poderia explorar outras influências do compositor ou aproveitar outras canções, referências da época, como forma de ambientação e contextualização do expectador não iniciado em música. Paciência, né? Isso pode ser apenas uma chatice minha.

Enfim, estas foram as minhas impressões. Um filme que prometia, mas que se apresentou repleto de deslizes, e que apenas na metade final conseguiu encontrar seu melhor caminho, seu melhor rumo. De qualquer forma, trata-se de um importante registro sobre o início da carreira de um dos principais nomes da música popular brasileira – Renato Russo.

Somos tão jovens (2013) – Trailer Oficial

Ficha Técnica:

  • Direção: Antonio Carlos da Fontoura;
  • Produção: Letícia Fontoura e Antonio Carlos da Fontoura;
  • Produtor Associado: Rodrigo Guimarães;
  • Roteiro: Marcos Bernstein;
  • Produtora: Canto Claro Produções Artísticas;
  • Coprodução: Imagem Filmes, 20th Century Fox e RioFilme;
  • Distribuição: Imagem Filmes e 20th Century Fox;
  • Colaboração de: Antonio Carlos Fontoura, Luiz Fernando Borges e Victor Atherino.

Sobre Marcos Oliveira

Jornalista formado na Universidade Federal de Viçosa, compositor e músico por intuição. Um cara apaixonado por tudo que envolva som, que pensa bastante a respeito da produção, da criação e que também consome bastante música. Este é um espaço para todas minhas ideias e reflexões ganharem forma e espero que gostem do que tenho a escrever. Por favor me ajudem também, com críticas, comentários e compartilhamentos, por que não?
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